À medida que mais cores são misturadas na tinta, ela fica mais preta.

Querido Alex,

 Hoje reli um texto que produzi sobre nós dois. Ele era sobre a noite que compartilhamos sob as estrelas, o dia em que me apaixonei por você. As estrelas continuam lá, e eu também. Você, por outro lado, não. Sua vida foi curta, e espero que eu tenha lhe proporcionado dias felizes, mesmo que seus últimos tenham sido miseráveis.

 De volta ao texto, eu inventei aquele final. Não me leve a mal, mas aquele final feliz foi o resultado de um ano e meio de realidade solitária, sem você. Escrevi um final em que nós dois nos beijamos, e fomos dormir lado a lado. Escrevi também que nossa liberdade começou ali. Pode ter sido verdade para nossas versões de papel e caneta, mas não para nós. Escrevi um final feliz, porque o nosso não foi.

 Além disso, na escola, me pediram para colocar no papel o que estava me incomodando, para queimar, e acabei escrevendo uma carta para você. Ela queimou como nossa amizade, rápida e intensamente. Falei sobre o sentimento de solidão que eu sinto.

 Não que eu não tenha amigos, longe disso. Sou grato as pessoas que tenho ao meu redor, mas infelizmente, me sinto sozinho mesmo cercado de pessoas que me amam. Porque eu te amei. O problema era que você me amou de volta.

Mesmo recebendo carinhos e abraços, me sinto sozinho, pois preciso de seu toque quente, gentil. Porque eu te abracei. O problema era que você me abraçou de volta.

Recebo aplausos e elogios, mas me sinto sozinho, porque nenhum deles veio de ti. Porque eu te elogiei. O problema era que você conquistou meu coração com elogios e conversas e abraços.

Você conquistou meu coração com sorrisos e gestos e conversas.

 Seria eu tão apático pela vida sem você?

 Talvez, mas somente o tempo dirá.

Sinceramente,

João Pedro, seu eterno Marco.

Publicado por Marco

Alguém que adora história.

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