Setembro

Há dias não dormia.

Às vezes, de relance,

 visitava algum estágio

entre o sono e a vigília,

mas logo exasperava-se.

Não havia tempo para viver.

Moto contínuo da Conceição,

seu corpo-mundo,

numa corrida de pique sem altas

 e a gente só disparo,

de perder o fôlego,

para onde?

Vai saber.

Talvez, poetas.

Pergunta a José,

sem resposta,

a marcha inexorável,

no Bandeira, a nódoa no brim.

O tecido,

o papel e a tela

me desnudam

Caminho

por cada verso

foi-se embora o frio

e as folhas áridas do inverno.

O tempo é seco, a terra vermelha.

Bichos ciscam a vida

que acham debaixo da terra.

Sem chuvas passageiras,

sustento esta esperança

de primavera.

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