Há dias não dormia.
Às vezes, de relance,
visitava algum estágio
entre o sono e a vigília,
mas logo exasperava-se.
Não havia tempo para viver.
Moto contínuo da Conceição,
seu corpo-mundo,
numa corrida de pique sem altas
e a gente só disparo,
de perder o fôlego,
para onde?
Vai saber.
Talvez, poetas.
Pergunta a José,
sem resposta,
a marcha inexorável,
no Bandeira, a nódoa no brim.
O tecido,
o papel e a tela
me desnudam
Caminho
por cada verso
foi-se embora o frio
e as folhas áridas do inverno.
O tempo é seco, a terra vermelha.
Bichos ciscam a vida
que acham debaixo da terra.
Sem chuvas passageiras,
sustento esta esperança
de primavera.