O mar é quem detém a última palavra.

Querido Alex,

Venderam sua casa. Não sei quem a comprou, mas sei que meus pais conhecem quem fez isso. Você se lembra de quando te disse que eu não tinha uma casa? Parece que estamos na mesma situação agora. Ambas as casas continuam lá, em pé, mas não podemos entrar nelas. Não é uma pena porque, durante nossos 6 meses, aprendemos que nosso lar não precisa estar em um lugar fixo, mas no coração das pessoas que gostam da gente. Eu vivi no seu coração, e você ainda vive no meu, mas eu me pergunto se alguém me tem no coração. 

É difícil alguém com a minha condição achar amigos, amor, porque as pessoas nos acham esquisitos, chatos, um erro. Atos como um revirar de olhos, um comentário desagradável sobre minha presença, ou um grupo parar de falar quando eu me aproximo doem tanto. Eu sei que sou um incômodo, que vou falar algo que não devo ou interpretar algo errado, mas eu ainda quero viver! Eu quero estar cercado de pessoas que gostam de mim! Quero abraçar alguém! Quero ver alguém sorrindo quando me veem chegando! Eu quero importar. Eu só peço uma chance.

Alex, antes de te conhecer eu desejava morrer jovem.

Depois que te conheci, comecei a desejar por mais tempo.

Eu queria mais tempo com você.

Naquele dia, no dia em que te vi pela última vez, você estava sentindo alguma coisa? Ou fingia não sentir?

Por que não posso ser feliz?

Publicado por Marco

Alguém que adora história.

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