Eu não gosto que as pessoas me toquem, porque isso me faz lembrar de você, uma pessoa cheia de carinhos e abraços.
Eu estou começando a conversar com a minha correspondente de novo, porque gosto dela.
Eu ainda tenho dificuldade de dormir, mas os pesadelos estão mais espaçados, raros.
Eu ainda choro, grito comigo mesmo pelo o que eu fiz, porque eu me odeio.
Eu ainda tenho medo de me apaixonar, porque tenho medo de te esquecer.
Eu não subo mais no telhado, porque sem você é um lugar frio, isolado, solitário.
Eu ainda tenho medo de confrontar as pessoas, porque não quero gostar de alguém tanto quanto gostei de você.
Eu ainda estou triste, porque sinto sua falta.
Eu ainda estudo História, porque é algo que eu gosto, porque já aconteceu e não tive responsabilidade no ocorrido.
Eu ainda assisto Star Trek, porque isso me dá esperança da História ainda não escrita.
Eu ainda tenho dificuldade de andar, porque sofri mais um acidente.
Eu ainda me chamo Marco, porque ainda estou lutando, ainda estou vivo.
Eu ainda pinto, porque amo me desconectar do mundo a minha volta e focar somente nas coisas importantes.
Eu ainda amo as estrelas, porque elas são a luz do amanhã, o guia dos descobridores.
Eu ainda escuto música clássica, porque ela toca a minha alma.
Eu ainda amo dentes de leão e lavanda, porque elas me lembram de você.
E eu ainda visto a presa negra em meu pescoço, junto com o colar que eu comprei para você, um círculo prateado com a inscrição:
“A liberdade começa aqui.”
Ela começou.