um lobo entre as cordas do sol

impossível distinguir entre o vermelho do nascer do sol, o vermelho da terra e o vermelho dos meus olhos. ainda meio lobo, maltrapilho, andarilho. a musa à quem me curvo se foi e, agora, o regente da normalidade assume seu posto. é de uma postura estridente, que me atravessa pondo em transe. uma pura tenuidade marca a relação que se constrói — ou talvez eu apenas goste de ser clemente a isso. não compreendo até onde minha verdadeira natureza é repremida, até onde sou afastado de mim e desequilibram-me, ou até onde meu coração apenas é momentaneamente contido em nome da intensificação do poder, do querer e do sabor, de todos os sentimentos e sensações nas quais mergulho quando finalmente alcanço os crespúsculos iluminados.

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