Ranços de um ranzinza

Cinza

Da cor do cinzeiro de prata

Das cinzas que descansam parcas

Caídas, do tempo caíram

Do verbo precipitar

Vencendo o ar

E se render

Morrer

Assim são os dias cinzas

De um ranzinza implicante

E seus ranços impertinentes

E suas eloquências lamuriantes

Seus rompantes rabugentos

E suas intolerantes inconveniências

Seus antipáticos argumentos

E suas enfadonhas indolências

São dias que são noites

Escuras e exaustas

Incertas e inexatas

Noites

Mas que bom que existem as flores e existem os cães

E existem as águas e existem sempre as manhãs

E não há azedumes que não se esgotem

Nem há dores que não se dissipem

No que também é

E é um amarelo dinâmico

Que do cinza vem detrás

É um Sol botânico

Que de alegrias refaz

Um cinzento ranzinza

Em um descuido de paz

Deixe um comentário