Doutrina

Sinto que lhe perdi.

À partir do momento em que a vi nos braços dos males disfarçados de bem, sabia que teria que lutar por ti.

Mas lhe perdi.

Caíste nas profundezas do Altíssimo,

Por querer corresponder ao que de ti era esperado.

Ou, talvez, para satisfazer a solidão implantada em tua alma.

Vil, o que fizeram com tuas asas.

Cruel, a corrupção da tua dança.

Lhe concedem o Éden mas lhe tiram o que é humano.

Não me conformarei, pois, se te perdi, significa que perdestes a si mesma.

Se antes eu soubesse, tinha lhe atraído para o meu lado…

Pois eu ainda lhe tinha quando tu estavas em cima do muro.

Do muro, agora, tu desceste. Mas para um lado em que minhas mãos não mais lhe alcançam.

Se não lhe alcanço, lhe perdi.

Se não lhe vejo, de prantos serão feitos os meus olhos.

E, se de tudo não conheceres as libertações que trazem a mudança,

Viverei sem esperança,

Lamentando a minha sina,

De lhe perder para doutrina.

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