Matem-me e joguem-me aos porcos
Se não ouvirão minha voz, silenciem-me de uma vez
Não viverei a vida do desiludido de um artista não ouvido
Não gastarei prosa a ouvidos cerrados e corações degradados
Joguem-me ao povo
E deixe que façam-me mártir
“Aqui jaz a essência do sonho da arte”
Escreverão em meu túmulo repleto de rosas vermelhas
E ali, pútrido, abafado pela terra que me cobre
Cantarei, enfim
Serei ouvido pelos esquecidos, e eles irão ressoar comigo
Juntos, os esquecidos e os não ouvidos
Cantarão a canção do abismo