acho que eu vivo em luto por todas as vidas que eu não vivi e não vou viver. Pelo menos não nessa presente vida.
presente. agora.
eu não moro em paris e debato sobre os problemas sociais do mundo em um café tradicional. nem saio por ai numa vespa na itália ou no por do sol de mônaco. nem acordo cedinho todos os dias pra fazer feira. e muito menos faço parte de um grupo de protesto hippie em San Francisco.
mas meu agora é presente. presentão.
algumas coisas são de outras vidas, mas que sensacional viver onde eu tô agora. de ter tempo pra pensar em todas essas outras vidas e nessas outras pessoas e nesses outros lugares.
pra ver todos esses tudos não queria ser passarinho e nem mosquito; não queria ser vento e nem luz; afinal, passarinho vive a mercê da estação, mosquito tem vida curta, vento é infinito e a luz viaja rápido demais, nem dá pra aproveitar. pra ver tudo isso eu só queria ser eu, mas da maneira mais sincera possível. queria ser eu vendo toda a vida acontecer, enquanto ainda temos tempo.
temos tão pouco tempo e tantos tudo.
onde fica o eu que queria ser bailarina, jogadora de vôlei, astronauta, oceanógrafa, professora, sereia, peixe, girafa, dinossauro…?
por enquanto, me contento ser eu. mas só por enquanto.