Para Toninho Costa
De um amigo ganhei
uma árvore da felicidade
importante frisar: fêmea!
Escolhi para ela os lugares
mais bonitos da casa:
à meia escada de sol,
no raio de luz do corredor,
ao lado do pé de arruda
bem junto do manjericão
ela não crescia
ficava minguada em todo
e qualquer canto
pensei que ia morrer
Clarice,
clandestina também era
a nossa felicidade
num golpe de misericórdia
coloquei-a na mesa de cabeceira
tornou-se um livro
de folhas estriadas
lido em outra língua
só assim viverdiou
e cresce cada dia
a florescer sonhos
e enraizar pesadelos