Tento acordar.
Acordar do sono que me aprisiona,
mas essa parte é fácil.
Difícil é levantar a bigorna que tenho no peito.
Uma vez feito isso, o céu anuncia
que eu hei de me mexer.
E é vagando pela rua
que percebo que com mais um minuto
perdia o ônibus.
Sentado o dia todo então percebo
que o peso há de voltar.
Até o meio dia, já voltou.
À noite, então, é que parece
que não vai mais embora.
Vai, porém, por poucas horas,
até se encontrar novamente
com meu peito aberto
em mais um amanhecer.