Janeiro

coloquei um lofi muito nostálgico, que combinou perfeitamente com o barulho da chuva lá fora, pra me concentrar em escrever este texto.

Não sei especificar que tipo de texto é este. Um dos que eu só vou escrevendo coisas que me vem à cabeça. Comecei a pensar nele durante o banho, fui anotando na mente as coisas que eu poderia falar. Coisas do início de ano. Decidi que, talvez, eu deveria escrever um desses todo mês. Não sei se vou fazer isso, eu nunca vou pra frente com essas ideias.

Dia 2 eu fui na psicóloga, ainda não voltei. Falei das dificuldades de dezembro. 2023 não foi fácil. Amargo, não, azedo. Tipo uma jujuba que não é doce, que tem açúcar em volta, mas ainda não é o suficiente pra evitar fazer a cara de ‘ai que azedo’. Como aquelas bala fini azeda.

Eu pensei este texto como um jeito de colocar as emoções pra fora. Falar do trivial e do profundo, sei lá. Por acaso, textos assim eu gosto de escrever falando. Falar as coisas enquanto escreve, fazer com que eu ouça, repense e reouça essas coisas, vendo o melhor jeito de expressar e, ao mesmo tempo, engolir a aceitação que vem junto.

Eu saí com as minhas amigas da cidade também. Foi muito bom. Comida cara, pouca opção sem glúten pra mim, mas tudo bem. Só nunca mais voltar lá. Pelo menos era bonito. É gostoso demais conversar. Também saí com a minha mãe pra ver as amigas dela, a minha madrinha e a outra que a gente não via há muito tempo. Também foi super legal, mas a gente foi no restaurante caríssimo que comemos no meu aniversário ano passado, então segurei um pouco, afinal, a gente é pobre! : D A gente vai ver elas de novo, no aniversário da minha mãe, semana que vem, na casa da minha madrinha. E ela vai entregar pra gente os presentes de Natal, que ainda não foram entregues, chocolate XD.

Apesar de ser um ano de muitas mudanças, que se aproximam numa velocidade assustadora, o sentimento de viver-sonho não passou. Tenho um pouco de medo deste fato. Será que a vida vai continuar sendo assim, independente? Não parece certo. Isso é sentimento-infância, para mim. Não sentimento-adulto. É difícil explicar. Mesmo em certas horas decisivas, a não ser que tudo dê errado, a sensação ainda permanece. Não parece certo, viver se sentindo dentro de uma nuvem, num tempo em que eu devia estar terrena. O que é se sentir terrena, eu nem sei.

Eu comecei um diário no dia 1. Disse à mim mesma que ia escrever todo dia. Até falei pra psicóloga. Não escrevi desde então. Às vezes eu gravo eu jogando, falando com a tela; na maior parte do tempo, nem falo, porque tô concentrada, ou cansada, mas tem vezes que eu falo, e muito, seja do jogo em si, seja da vida. Nunca postei nenhuma gravação, claro. Às vezes eu penso nos meus áudios-desabafo que eu perdi quando resetei o celular. Áudios que eu gravei em momentos que eu precisava falar (percebi que parei de escrever-falar faz um tempo, agora) as coisas em voz alta, conversar com um alguém-ninguém, e chorar. Não eram muitos, mas mesmo que eu nunca mais fosse ouvi-los, eram importantes. E agora não existem mais.

Eu senti uma insegurança grande esses dias. Todas as férias eu meio que sinto essa: eu sou uma boa amiga? Eu valorizo mesmo os meus amigos? Será que eu devia mandar uma mensagem?? Falar do que??? Será? Não fiz nada, não falei com ninguém. Seria o sentimento de amar eles o suficiente pra manter essa relação? Nunca fui boa de conversa, ainda mais digital.

Amanhã eu vou receber visita de uma amiga, eu devia estar arrumando o quarto, limpar as poeiras, mas eu não queria deixar essa ‘inspiração’ passar.

Tá meio frio.

Eu tenho uma ideia de desenho. Ainda tô juntando a energia e a coragem pra voltar a desenhar, no entanto. Desde que eu destruí todos eles, eu não fiz nada.

Sobre o sentimento viver-sonho, é tão estranho. Eu devia escrever um texto só tentando explicar. O viver despreocupada das coisas que eu com certeza deveria me importar. Foi-se o ENEM, agora SISU, e virá UFMG, eu tenho certeza. Tem que olhar moradia em BH, e aprender a se virar sozinha em cidade grande. Lidar com dinheiro, casa, tarefa, concurso técnico, e as maldades da vida. Mas o viver-sonho predomina, perigosamente, sobre mim, a maior parte do tempo, exceto durante as crises de ansiedade. Procrastinar a vida que foi modelada pela sociedade para a sociedade.

Eu comecei a tomar remédio para a ansiedade. Minha ginecologista quem passou. Eu não ia falar nada de ansiedade, mas a minha mãe foi e falou (é, eu ainda vou acompanhada em médicos), e aqui estou. Não tenho tomado num horário fixo não, às vezes por esquecer. Tomo de manhã. Ainda não senti muito os efeitos anti-ansiedade. O que eu senti foi enjoo e um refluxo de nada toda vez que eu engolia ar, tipo bocejar, nos primeiros dias. O corpo acostumando, né. Não sinto mais nada, agora. Continuo a mesma. A doutora falou que é aos poucos mesmo. Que deve começar a funcionar depois de uma semana tomando. Hoje é uma semana depois, então, talvez já começou? Não me sinto tão não-ansiosa ainda.

O mês não acabou ainda, né, mas não sei se vai ser muito diferente do que já foi. Fevereiro sim, que deve ser diferente. Início das aulas dos outros, vou estar sozinha em casa de manhã, né. Fazer as coisas de casa, cozinhar, e de tarde aguentar a minha amada irmã. Ou só ficar no quarto. Estudar qualquer coisa. Boiar no tempo. Sei lá.

a chuva parou. só o lofi e o barulho do papai assistindo filme no fundo não é muito inspirador. vou voltar a fazer minhas coisas. nem vou revisar este texto.

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