jovem Joana

A jovem Joana se tornava jovem, rebelde, seu coração se vinculava com a selvageria da adolescência, seu coração se vinculava. Raiva e paixão. Mas em algum momento, houve um amadurecimento. O nascimento de vênus. O nascimento de uma tristeza que a carregaria por aí, como a onda do mar bruta. Bruta: selvagem. Não seria ela selvagem, seria o mar. E na busca de si mesma ela brincaria de viver, esqueceria o que importa. A essência do arqué da existência se cobriria do vazio adulto, e dele (vazio) nada seria tirado. A mãe seria esquecida, sua infância enterrada, sua paixão que deu errado e que a ela trouxe o sentimento de abandono, jogada fora. Ela jogaria o pé para fora da banheira, e entraria submersa numa coisa muito mais funda, que a afogaria cedo ou tarde. Mas ela se descobriria independente. Ela se descobriria Joana, mesmo que não fosse possível para ela no seu processo de amadurecimento se ver sem ninguém. Aliás, o entendimento popular de víbora e bruxa é bem próximo. Talvez para ser bruxa ela devesse sim ser sozinha, deixar de ser Joana jovem.

(inspirado: perto do coração selvagem – Clarice Lispector)

Deixe um comentário