O primeiro beijo

Poema de Rafa Marinho e Heleniara Moura

Lá no tempo de menino

viu avoá passarim

e sonhou olhos de moça

com a boca de carmim

quis amar e ser amado

nada de tempo ruim

Nessa deixa, eu rimo assim

Em peleja de internet

Vou rimar primeiro beijo

Que só dei com dezessete

Se beija boca, é namoro

Se beija pau, é boquete

moço abaixa o topete

desse jeito desconverso

não é rima sem vergonha

da letra em destino certo

quero é beijo inventado

na insônia do deserto

Você disse que meu verso

É rico em pornografia

Não cursei literatura

E jamais fiz poesia

Aprendi a fazer rima

Foi ouvindo cantoria

O que sei é teoria

E prezo ouvir mais estória

Dessas coisas de amor

Numa lira encantatória

em meu peito aonde eu for

cisma a tal palavratória

Já me embaça a memória

pois já passa de 11 horas

Amanhã levanto cedo

Antes mesmo da aurora

Deixo o derradeiro beijo

Boa noite, vou-me embora

Pena que ainda agora

Na noite que desarvora

Lembro triste minha sina

O beijo que sonhei outrora

Desandou em vero acinte

Adeus moço já é hora

Me despeço, sem demora

Vou pra cama descansar

Mas prepare bem o lombo

Para surra que vou dar

No desafio de rima

Que vamos continuar

Curioso é encontrar

Poeta e cantor rimado

O dia inteiro a contar

O verso todo cuidado

por isso rasuro a poesia

em verso desavisado

Eu fico maravilhado

Com versos que você faz

Mas se é pra rimar ligeiro

Eu vou te deixar pra trás

Nem que eu tenha que rimar

Bom Jesus com Satanás

Caro cavalheiro audaz

Agradeço o lisonjeio

Faço versos inspirados

Lá em campos do estrangeiro

E minha rima cantada

Traz em si o canto alheio

Eu lhe digo sem receio:

Sua escola é a de Bandeira

Mas eu sigo na toada

Do poeta Zé Limeira

Troco a fralda do jumento

Num cacho de bananeira

Poeta de igual carreira

Bandeira esperava a morte

Do Zé eu conheço pouco

Por favor não se revolte

Pois o vai me apresentar

Para minha própria sorte

Reconheço que és mais forte

Na arte da poesia

És Peléia das palavras

Qual jamais serei um dia

Mas num jogo de peteca

Eu é que lhe venceria

Tem razão em demasia

Na peteca não sou pário

Guardo aqui nossa peleja

Para dentro do rimário

Onde guardo essa beleza

E maior tesouro vário

Deixe um comentário