O verso

Veio numa noite de maio

sem bater palmas no portão

pediu água, um trocado

Mostrou a conta de luz

a receita com o nome da filha

metrificados os watts

quantificados os fármacos

tudo em verso porfiado

Eu fiz o que pude

tinha uns trocos de palavras

poucas e sem muito brilho

uns versos vencidos

contra dor de cabeça

e pílulas poéticas

que com gin dão

um barato danado

Agradeceu num manear de cabeça

não disse nada

lhe bastavam os restos de rimas

a métrica imprecisa

o oitavado da estrofe

erradio destino de mar

Foi-se sombrio

num morro perdido de Minas

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