Havia floresta
e líquidas folhas
e líquens pulsando
em bolas de luz
cobrindo mil sóis
quebrando lençóis
cabendo nos vãos da cabeça
peça movediça
que vem e que passa
por pura pirraça
ou dura preguiça
tropeça no espaço
do ventre vazio
da vulva postiça
jorrando cometas
gametas pungentes
que descem nas pernas
descansam nas praças
explodem nas frestas
se lançam nas matas
se abraçam em festa e dançam
ausentes
e avançam pinçando as arestas de um corpo demente
com vinho e fumaça
com brasa e promessa
até que floresça
do imenso vazio
vazando nas bordas da nossa desgraça
a nova cabeça
na força do vento
na graça da vida
cabaça do tempo
carcaça perdida
trapaça reversa
escassa carniça
no avesso do verso realça
descalça
travessa
floresta