Amarelo-café

o dia chega assim:

um amigo vem à porta

traz o pão para o café

a manteiga da roça faz

escorregar a prosa da manhã

livros, canções, estórias

a fogueira de ilusões antigas

guardadas na desesperança

a Macondo de Marquez

a Petesburgo de Dostoiévski

a Jerusalém de Amós Oz

a Budapeste do Chico

promessas, promessas

na fluência do Rio Doce

Krenak me conta

do sonho e da terra

os livros em cima da mesa

senta-se a ela minha ausência

xícara cheia de nada

na ânsia-desejo de tudo

fome antropofágica

– Carne de minha perna!

licor tropical onde bebo a poesia

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