Sonhar sozinho

Quando Melodia partiu

uma fada-lágrima

encantou minha sina

e desde o dia da magia

nenhuma ilusão farta

basta esse meu coração

sem desistir dentro

levo o sonho-aluvião

de sofrer e chorar e rir

de nascer e amar e parir

na dor limite uma costela de adão

Formal digo aos outros

– sim, senhor. – não, senhor.

sim não sim não sim não

mas grita dentro de mim

a quentura dos trópicos

a secura do cerrado

a craquelar baixo o que piso

dizem plantar jardins no chão

o que nasce é veneno

no céu voa o papel colorido

corta o fio e serpenteia

o rabo-de-pipa de fita-chitão

o olho de vidro do menino

esse maldito tombo na areia

a mágoa turva na água do ribeirão

lá no fundo a pedra

inunda a água de poesia

Poeta, mude o seixo de lugar

estrie a superfície das palavras

meta fora todo embaraço vão

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