Eu pisquei os olhos e passaram-se 26 dias.
eu ia escrever coisas muito emocionantes agora mas não aguentei. não tem como dramatizar ou escrever “formal” certas coisas.
Fazem 26 dias que a minha avó morreu. E agora, não tem como não mencionar isso, foi parte do mês e bem, o objetivo desta série de textos é contar um pouco do meu mês e me fazer refletir sobre ele enquanto escrevo. Eu sinto falta dela, e não tem como escrever sem chorar. Na verdade, eu nem sei como escrever este texto. Devo falar de como ela era? Ou como foi aquele maldito domingo? Sobre os sentimentos que eu senti nos dias que vieram depois? É tudo muito estranho e subjetivo, sabe? Foi um choque, e logo depois um entendimento do que aconteceu, e então… só uma angústia que varia em ondas, onde eu chorava, me recuperava, chorava, me recuperava. Não consegui ficar mais de um segundo olhando para o rosto dela. Não quis ver o caixão indo embora, e nem ao menos entrei no cemitério. Não sei dizer como eu me sinto sobre isso. Foi tudo muito rápido. E devagar. E na minha cabeça só ecoava as palavras dos outros e pensamentos tristes e mórbidos e temerosos. E no dia seguinte eu fiquei em casa. E na terça, quarta, quinta e sexta, eu continuei minha vida no mesmo ritmo. Ocasionalmente ficando triste ao parar para pensar. E refletindo sobre isso tudo.
De qualquer modo, a vida continuou. Joguei UNO, estudei, trabalhei, namorei—inclusive, fizemos um mês de namoro né, haha, e claro que teve presente— adoeci (quatro dias de febre, depois mais quatro de dor de cabeça…), me estressei, surtei, fui no cinema…
Sinceramente, o plano original era escrever muito e filosofar em cima dos meus pensamentos todos, e falar com muito mais detalhes…. mas essa vontade de fazer isso tudo sumiu. E tá tudo bem, eu acho. Este texto tá em rascunho há 6 dias. O tempo de escrever parece diminuir e diminuir cada vez mais…