Novembro

Esse mês passou muito rápido. Nada de especial aconteceu também. Teve o Enem, né, foi….é. Acho que dá pra passar. Depois do Enem, a rotina agora é trabalhar de manhã, arrumar casa de tarde, e outras coisas. Focar no ensaio do teatro (tentando o meu melhor, mas a arte de procrastinar é mais forte). Estou fazendo umas lembrancinhas de Natal, coisa atoa. Sinceramente, não tenho muito a escrever, realmente. Mesmo com o meu teclado se comportando, hoje. Não tô especialmente bem humorada ou emocionada, não, só a apatia de sempre. Apesar que as pessoas me veem como alguém bem espontânea, animada, eu acho, isso é mais para quando eu tô com as pessoas. Normalmente eu me esqueço nas coisas que eu fico fazendo, e não há uma necessidade de sentimentos nesse fazer de coisas. Talvez essa seja outra forma de ansiedade. Será que realmente é? Tudo que eu sinto eu falo que é ansiedade. Feliz e animada e agitada? Ansiedade. Triste, desanimada e quieta? Ansiedade. Tédio, agonia, incômodo? Ansiedade. Excesso de sentimentos? Ansiedade. Falta de sentimentos? Ansiedade. Será mesmo ansiedade ou será que eu uso a máscara de ansiedade como forma de explicar a mim mesma sem pensar muito? Que nem muitos problemas femininos são ‘culpa da menstruação/ovulação/TPM’ (muitos são, sim, mas nem todos, e todos se parecem, então não é fácil. É.

Será que existem outras neurodivergências, que não TDAH, que fazem uma pessoa ser distraída e não conseguir focar (além da ansiedade. Não posso aceitar que eu sou ansiosa 24h, mesmo quando estou calma)??? Porque eu sei que não tenho TDAH. Nem autismo. Mas eu sinto que tem alguma coisas de diferente no modo como eu penso e como as outras pessoas pensam, só um pouco. E no jeito que eu percebo algumas coisas, só algumas. Seria uma questão de neurodivergência (a ansiedade não conta. Não conta. Não.) ou de maturidade? Visão de mundo? Vivência? Classe social, etnia, sexualidade, gênero? Tudo de uma vez? Nada disso?

Sexualidade e romance e ansiedade são assuntos muito complicados. Uma artista que eu gosto muito escreveu uma HQ sobre como ela percebeu que confundia ansiedade com tesão, e às vezes eu penso se eu não confundia a ansiedade com o sentimento romântico, ou de amizade/platônico. Por que eu penso e parece que a intensidade dos sentimentos que eu sinto por todas as pessoas diminui, tanto novos relacionamentos quanto antigos. Será que eu realmente sou greysexual? Nessa linha, poderia ser eu greyromântica também? Ou a falta é simplesmente eu sentindo os sentimentos de forma menos ansiosa e obssessiva? Mais saudável? É uma questão de costume? É a ansiedade que diminuiu a intensidade(dificilmente provável, visto que sou menos ansiosa agora, em relação ao passado)? Será maturidade? Cada experiência é diferente? Sentimentos são mais fluidos do que eu pensava?

Perguntas e mais perguntas. Estou escrevendo mais do que eu esperava.

Dá vontade de pegar o cérebro e dissecar (dissecar demanda secar primeiro ou é apenas coincidência?) e testar e analisar e estimular cada pedacinho do sistema nervoso para tentar descobrir e decodificar cada sentimento e pensamento, como se fosse os sinais binários de um computador, e escrever cada código de forma a aprender a ler nossa própria mente e sentimentos. E escrever um dicionário explicando cada um, de um único sinal ao conjunto dele, e o que fazem, como fazer, consequências, possíveis resultados. E depois, comparar com outro cérebro para ver se é padrão, ou se cada pessoa foi escrita numa linguagem de programação diferente. Imagina: eu funciono em Java (deus me livre) e fulano tá em C#, ciclano é Python e beltrano é HTML, e mais um funciona em Fortran.

Será que esses pensamentos são fruto de ansiedade também? Ou eu sou naturalmente curiosa e científica (não.)? Uma pessoa normal pensa essas coisas? O que é ser normal? Todos os cientistas são curiosos e querem entender o tempo todo? Ou eles são que nem eu, que tem picos de perguntas e vontade de entender, com a diferença que eles vão e tentam satisfazer a curiosidade?

Não, eu não me droguei para escrever este texto.

Será que depois do ano acabar, eu vou continuar a escrever?

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