Hoje aquela sensação estranha mas familiar
Me visitou de novo.
O cigarro tem sido recorrente nas minhas linhas,
Assim como no meu bolso e na minha boca.
Uma droga a mais não importa
Tem muito tempo que já foi feito o estrago.
Vendo o que me mata primeiro:
Essa dor no peito ou o cigarro?
Enquanto eu faço juras e transformo nosso quarto num filme pornô.
Me deixa dirigir esse filme,
Assim como eu deixo e vejo o cigarro acender.
Não tem garrafa travando a porta
E o que sobra é a pergunta: Eu ser maluco não assusta você?
Drogas pra anestesiar e sexo não tem porquê.
Me enrola, no lençol maracujá,
Repleto de juras tão vazias,
Me perdendo em algum corpo, algum cheiro,
Tentando me encontrar.
Me deixa ir por cima que já tô farto de ficar por baixo.
É que não é de hoje que eu tenho essa sensação de que nada nunca tá certo.
Essa sensação de que nunca me encaixo.
Me encaixando em esquemas e sonhos,
Eu não sou o homem que você sonhava,
Mas já fui o homem com quem você sonhava.
Mas infelizmente nunca fui o homem que eu sonhei.
E é meio estranha essa sensação de nada mudar,
De tudo parecer errado e “tudo bem”.
Apesar de ser meio triste tudo isso,
Eu já me acostumei.
Não me dê conselhos, já sei errar sozinho.
Me dê um tempo pra recuperar o fôlego e então voltamos a foder como se não houvesse amanhã.
Não me dê sermão, isso eu já ouvi de monte.
Me dê um abraço aconchegante e quem sabe eu continue aqui pela manhã?
Eu tenho hábito de mudar bem rapidinho de emoção,
Hábito de sumir.
E isso, qualquer amigo meu já percebeu,
Eu não sumi evitando vocês,
Eu sumi até pra mim e até hoje eu não consegui achar meu “eu”.
Então não se iluda nas minhas palavras bonitas,
Mas nunca duvide do meu abraço.
Hoje, essa sensação estranha me visitou de novo
E então eu peguei outro cigarro…