Eu tô cansado
De tanta disputa.
Por ouro,
Por hora
Já basta.
Não quero carros,
Fama,
Joias ou putas.
Quero segurança e igualdade,
Afastar do meu povo a maldade.
Ser livre pra sermos quem somos
E afastar de nós o medo e a injustiça desse cálice
Que se derrama.
E o sangue mistura-se com lama,
O povo clama
Mas ninguém ouve quando um dos meus chama.
Cansado de pedir ajuda,
Neguin favelado de moto na rua
Seu polícia corre atrás
Já achando que é fuga.
Pros civilizados um recado:
Mãe solteira precisa de uma sesta básica
Mas na loja não é necessitado.
Escolaridade não tá em falta
E aqui se cria muito mais felicidade e vida,
Só falta um salário bom pro professor
E uma casa digna.
Mas enquanto isso
De bala eu já tenho o troco.
Pra bala de borracha
Preciso de uma borracha que apague a mancha de sangue do outro,
E bala macia que amolece a realidade dura não dura nem 1 minuto
Então quem dirá um prato durar 1 dia?
Por isso os moleque prefere andar descalço,
Sem luxo,
Sentindo a grama,
A bola e a trave de chinelo no asfalto
E que isso se perpetue.
Porque pureza não falta.
Coloque em foco
O sorriso ao ver o troco do mercadinho em bala
Para que não surja mais nenhum Pedro Bala
E que nenhum capitão se contente com areia.
Serena a vida ao relento,
Na telha furada
Ouvindo o sereno som sereno,
Porque nem todo mundo aqui é marginal
E muito menos bobo.
Queremos uma vida calma,
Porém como disse Brown
Se quer guerra terá,
Se quer paz eu quero em dobro.
Poesia pra saciar sua sede
De arte
E dinheiro pra saciar sua fome de necessidade.
E que a maldade não chegue ao coração dos meninos.
Mas enquanto vocês não ouvem
Vou falar de paz nem que seja pras paredes
Já que de onde eu vim
Até elas já tomaram tiro.