Vortéx Interno

Se pudessem meus cabelos criar braços e pernas,
eles andariam em multidão calorosa e crente
com foices e tochas prontos para a caçada.
Se pudessem minhas entranhas correr,
me perseguiriam pelo fundo da floresta e jogariam fogo no pouco que me resta.
Se pudessem meus ossos julgar
eles me prenderiam, torturariam e me queimariam na fogueira.
Se pudessem minhas olheiras capturar,
pegariam minhas cinzas e jogariam em terra inóspita para que nada mais nascesse de mim.
Se meu corpo pudesse, ele arriscava o desfazer de si e se tornava o todo, tentaria parar a temporada de caça.
Se eu pudesse não se estranhariam comigo.
Temeriam me caçar.
Suas mentes vazias permitiriam que eu entrasse, penetrasse e convertesse.
Mas, têm medo que eu TRANScenda sua família
blasfeme seu deus.
Eles tem medo de se tornarem eu.
Da tentação de olhar no meus olhos e sentirem prazer
Mas hipnotizados por mim, não conseguem desviar o olhar quando passo.
Quando eu me vejo
transparente, lúcida
longe dos olhares ácidos deles
Observo a grandeza de um vórtex temporal,
O espaço aquém e além de Tu,
A fresta que não pode ser vista
mas que é vivida,
atingida
e atacada.
Quando eu me vejo
Escudo, bastião
perto do acalento dos meus
Cortejo tudo o que meu corpo poderia e pode ser-fazer
Hoje eu não me queimo na fogueira.

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