ODE

coração regride
quando a dor explode
e esse mar sacode
balançando a rede

versos na parede
ossos no cabide
fendas na cidade
mas não se incomode

que tudo se pode
quando o amor se mede
pelo céu que invade
as águas do açude

guardo num baú de
prata a liberdade
e uma tempestade
pra matar a sede

súditos de Édipo
em castidade
se não há o que ajude
peço que revide

da felicidade
guardo a latitude
transformada em lúdica
propriedade

metas na metade
beijos amiúde
brota o caos em rude
capilaridade

nessa claridade
nunca se acomode
submerso em pó de
mortas divindades

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