Desejo ser a morna luz que banha cada pessoa que amo.

Aqui vai… algo.

— Sempre quis fazer algo assim, mas agora que estou fazendo… Socorro, isso vai ficar péssimo. 

— Não precisa ser bom, você apenas precisa gostar de fazer isso. 

— Mas quero me orgulhar disso, eu quero que tenha algum valor. 

— Enquanto você gostar do processo, com tempo e prática, você vai chegar lá. 

Nosso protagonista com cara de caveira.

— Então… Você é a morte?  

— Não. Eu sou o Existencialismo.  

— De alguma forma isso é pior. 

O que é assustador para um pode ser reconfortante para outro.

— Um dia à Terra irá deixar de existir? 

— Sim. Daqui a muito, muito tempo. Mas sim. 

— O Sol também? 

— Sim. Até o Sol é temporário. Isso te assusta? 

— Sinceramente? Não. Acho estranhamente confortante que nada dura. Isso faz com que eu e meus problemas pareçam pequenos e bobos. 

Uma pequena mudança de perspectiva.

— Sei que sou pequeno no Universo. 

—  Mas quando você pensa sobre isso, você não é monumental? Uma série única de reações químicas, capaz de pensar. Planetas, estrelas, galáxias; todos mais comuns que você. Você é mais fenomenal do que consegue perceber. 

Talvez não seja que o seu melhor não seja bom o suficiente. Talvez seja porque você continua redefinindo o sucesso para nunca alcançá-lo.

— E se o meu melhor não for bom o suficiente? 

— Bem, o que significa bom o suficiente? Você não pode alcançar uma meta que está sempre se movendo. Defina bom o suficiente. 

Aceite que o bem não vai durar e reconheça que o mal também não.

— As coisas foram boas por tanto tempo. Por que tudo tinha que mudar? 

— Você não estava preparado.  A mudança é inevitável. 

— Então…  Sempre esteja preparado para a miséria? 

— Não. Sempre esteja preparado para a mudança. Como as coisas estão não é como elas sempre serão. 

Se você não sabe o que alguém precisa, a gentileza é um bom começo.

— Ah, é você. Veio me dar conselhos também? 

— Não, conselhos nem sempre são necessários. 

— Então do que eu preciso? 

— Alguém para te escutar. 

Tente não deixar uma voz cruel abafar uma dúzia de vozes gentis.

— Por que o ódio de estranhos me incomoda tanto? 

— Bem, eles não odeiam você. Eles só podem odiar a ideia de você. Além disso, não é justo com o amor em sua volta ouvir aquelas vozes zangadas. 

Continue se segurando e eventualmente você parará de cair.

— Eu sabia que isso ocorreria de novo. Eu sabia que eu começaria a cair de novo. Estou voltando aos meus velhos hábitos. Eu não sou nada. Eu era um idiota por pensar que tudo iria ficar bem… 

— Ei, para com isso. Por que ficar chateado com o progresso?    

— Progresso?  

— Você se segurou antes de cair, não é mesmo?  

O que você traz.

— Se eu olhar para o abismo, o abismo irá olhar de volta para mim. 

— Mas o abismo é o nada. O nada só pode ter o que você dá para ele. Então eu te pergunto, o que você traz? 

Manutenção programada regularmente.

— Se estou melhor agora, por que o gosto da tristeza é tão familiar?  

— Porque “melhor” não é algo que você adquire em um dia. É um trabalho. “Melhor” é construído com hábitos e escolhas. Você tem que trabalhar “melhor”. 

Fatias de vida.

— Uma nova fase da minha vida está começando e eu estou com medo. Vi tantas coisas terríveis e boas. 

— Mas se temos apenas uma chance de viver, você não seria sortudo de ter experienciado tantas formas de existência? 

Continue a nadar. Continue a… nadar. Continue…

— Tá bom. Autocuidado é importante. Mas eu não posso parar agora! Eu já trabalhei mais do que isso! Se eu não descansei por causa daquilo, eu não vou descansar agora. 

— Você julgou mal o seu limite uma vez, e agora está preso em um ciclo repetindo o mesmo erro até você quebrar de vez. É assim que as coisas são agora?  

— Ei, tenha respeito por mim. 

— Terei quando você tiver. 

Preste atenção nas pessoas da sua vida. Seu passado e futuro com eles provavelmente não são tão importantes quanto o seu agora.

— Claro, eu aprendi com os meus corações partidos, mas acho que aprendi lições erradas sobre confiança. 

— A linha entre cautela excessiva e confiança ingênua pode ser difícil de enxergar. Mas tenha cuidado com relacionamentos do passado, eles podem deixar sombras no seu futuro. Para ver com clareza, você tem que ficar um tempo no presente. 

Tudo bem ficar chateado com isso.

— O meu normal está ruindo na minha frente. 

— O tempo em que estamos é sombrio, mas sejamos honestos com nós mesmos:  normal sempre foi uma merda. Nunca permanece ou dura. Então vamos usar essa oportunidade para construir novos normais. 

 — Melhores normais. 

Quanto você pode dizer, realmente?

— Então, como vai você?  

— Ah, bem, eu estou… Eu estou bem. 

Olhe para baixo.

— Eu escolhi ver a beleza nas pequenas coisas. Talvez não escolhi, eu queria ver. Eu estou tentando. Então eu prático. Eu procuro por ela em todo lugar que eu vou. Mas frequentemente, de vez em quando…  

— Vem naturalmente. 

Talvez eu seja ruim em fazer pausas porque sou inexperiente nisso…

— Em qual ponto o autocuidado vira escapismo e ignorância?  

—  Se você está tão preocupado com isso, descanse do seu descanso. 

— Mas e se eu estiver errado e falhar de novo?  

— Se forçou de mais? Então parece que você precisa descansar! Descansou o bastante para continuar? Agora você conhece seu limite! 

— Quando você fala assim, parece fácil saber quando mudar.  

— A prática leva a perfeição. Comece a praticar! 

Não a conversa estimulante que eu queria, mas provavelmente a que eu merecia.

— Tive tantas coisas boas na minha vida recentemente, que eu quero celebrá-las. Mas parece errado. É errado celebrar a mim enquanto a vida dos outros não está tão boa. Mas é errado silenciar minhas alegrias…  

— Certo. Errado. Existem mais de dois lados. A moralidade não é binária. Além disso, o que é a moralidade?  O que define certo e errado?  

Quando o ego se dissolve, a cabeça tende a ficar mais leve.

— Ei, faça aquela coisa que me faz sentir estranho. 

— Dentre as milhões de coisas vivas em todo o tempo que você poderia ter sido. Você existe aqui e agora.  Mas o que e quem você é só pode existir aqui e agora. Em outro tempo ou lugar, você não seria você. 

— Legal. 

A felicidade é apenas o subproduto.

— Se compartilhar minhas criações não me faz feliz, por que eu quero tanto fazer isso?  

— Porque a motivação por trás desses atos de compartilhamento nunca foi sobre felicidade. É sobre fazer o interno externo. É sobre ver se seu trabalho pode sobreviver fora de você. É maior que felicidade. É comunicar com sua própria linguagem, e ver se alguém consegue traduzir. 

Muitas maneiras de passar a tocha.

— Acho que o legado da minha família vai morrer comigo. 

— O quão triste e turvo se reduzir a legado e genéticas. Há maneiras muito melhores que você poderá usar para melhorar o futuro da humanidade. Você pode ajudar a construir a fundação com criações e ensinamentos que reverberarão pelo tempo. 

Exercitando meu livre arbítrio para me dar ansiedade.

— Eu tenho livre arbítrio? Seria o livre arbítrio uma verdade?  

— O que você quer dizer? 

— Se o Universo funciona com leis determinadas, com poder computacional suficiente, tudo seria previsto. Ações, pensamentos, tudo poderia ser predito! Será que eu posso fazer minhas próprias escolhas?  

— O que define o “livre arbítrio”? O que define “livre” ou “arbítrio”? O que é uma escolha? Acho que você está se emaranhando em definições de palavras. Eu tenho uma pergunta melhor: a resposta mudaria sua vida de alguma forma?  

— Provavelmente não, mas é legal surtar com isso. 

Palavras que me ajudam a sobreviver.

— Esse corpo é meu. 

— Mas você não é seu corpo. 

Eu sou uma profeta autorrealizável.

— Não se preocupe. Estou sempre preparado para o pior! Eu tenho uma técnica. 

— E o que ela seria? 

— Eu penso nos piores casos para qualquer situação. Então eu estou preparado quando eles acontecem. Ameniza o impacto. 

— Engraçado, quando você faz isso, você está sempre prometendo que o pior vai acontecer, mesmo se só mental e emocionalmente. 

A única constante.

— Pouca mudança e nós morremos de fome. Muita mudança e nós morremos afogados. 

— Mas devemos buscar a mudança, antes que ela nos busque. 

Pensando com muita força novamente.

— Quando eu penso muito, eu pareço menos e menos um ser único e mais como um reflexo da superfície de tudo.  

— Bem, você meio que é. O que é o ser se não a ilusão que ajuda suas células navegar a existência? 

O começo de algo diferente. Hora de um pouco de contexto. Pó ao pó. Não posso fugir para sempre. Não há como escapar de mim. E eu não sou escapatória. Tudo a perder, tudo a ganhar.

— Nada nunca vai ser o mesmo, agora que o perdi. 

— Você está certo, não vai. . . .

— E o que é você? 

— Eu sou o nada. 

— Então, por que você se parece comigo? 

— O nada contêm nada. Eu sou nada. Você fala com o reflexo na superfície do abismo. 

— Por que sempre que eu perco algo você está por perto? 

— Eu sempre estou por perto, a perda apenas o lembra da minha presença, da minha inevitabilidade, porque eu sou a ausência das coisas. A perda te lembra de que você veio de mim e para mim você voltará. Tudo se torna eu com o tempo. 

— Então, se você é inevitável, eu vou correr de você. Vou mergulhar em prazer e esquecer o que está pela frente. 

— Mas toda vez que você se lembra, seu mundo se destrói. 

— Então, se você é inevitável, eu vou correr para você. Vou me esconder em sua sombra e você nunca vai me achar.  

— Não há escapatória de mim, e eu não sou escapatória. Pare de fugir de mim, e se perca em mim. Apenas converse comigo sobre o que o deixou. 

— A vida é tão cheia de perda. Tudo que eu sou e o que eu tenho, um dia, vai se perder… 

— Se você ao menos pudesse se ver da minha perspectiva. Se você pudesse ver o vasto nada no seu passado e futuro. Ver que você é um desafio em um Universo cheio de nada. Um milagre incapaz de se apreciar. 

— Se ao menos eu pudesse me ver do jeito que você consegue. 

— Mas você pode. Tudo o que você precisa fazer é refletir… 

Eu não vou me encontrar.

— Eu pensava que iria me descobrir um dia, achar minha identidade, quem eu sou de verdade. Porque pelo que eu vi, os “eus” mais fortes não são achados. 

— São forjados. 

Pode não me ajudar a me sentir menos diferente, mas me ajuda a me sentir menos sozinho.

— Quanto mais tempo eu fico com os outros, mais sozinho eu me sinto. O modo que me sinto, o modo que eu fico feliz, difere de todos os outros. Me sinto solitário com quem eu sou.  

— Elas não podem ser iguais à sua, mas se você pudesse ler a mente dos outros, você perceberia que sua solidão tem bastante companhia. 

Ultimamente tenho feito muitas caminhadas.

— É engraçado estar entre crescimento e podridão. Isso sempre me lembra do que eu estou me sentindo. 

— E o que seria isso?  

— Vivo. 

Está na minha cabeça, mas não no meu coração.

— Mesmo com todo o tempo e espaço, e não importa o quanto eu tente, eu ainda estou com raiva. 

— Bem, você não pode controlar como você se sente, mas você pode controlar como você age. 

Tenho me perdido no escuro ultimamente.

— Demora um pouco para pegar no sono, então eu passo esse tempo explorando minha mente. Mas isso pode ser uma má ideia…  

— … Porque sua mente é onde seus problemas se escondem.  

A luta medíocre.

— Eu estou com medo que essa mediocridade é tudo que eu sou capaz. Que meu melhor é ser amador.  Meus poucos sucessos parecem tão pequenos. 

— Eu não sei, não. Mediocridade não parece tão assustadora na minha perspectiva. Acho que o verdadeiro horror é transformar seus sucessos em fracassos por não se permitir aproveitá-los. 

Ilusões e construções.

— O ser é uma ilusão. A identidade é um construto.  

— Que conceito sombrio. Mas se for verdade, então eu posso construir um eu melhor, construir uma identidade mais confortável. Eu poderia ser minha própria criação. 

O esquecimento é uma bondade.

— É depressivo saber que eventualmente todo o meu impacto vai desaparecer do mundo. Com tempo, nada que eu fiz irá sobrar. Eu serei totalmente esquecido. 

— Bem, se te faz se sentir melhor, imagine o contrário! Imagine tudo o que você fez durar para sempre. Toda escolha, toda ação. Responsabilidade e impacto eternos. Por todo o tempo. Isso seria melhor?

Eu sei que não foi fácil, mas obrigado.

— Às vezes eu gostaria de poder falar com meu antigo eu. Dizer-lhe que um dia essa escuridão vai parecer muito distante. Dizer que ele irá melhorar de maneiras estranhas, distantes e lindas. Dizer-lhe obrigado por ter aguentado.

Beleza no caos.

— Às vezes me perco em sonhos fracassados, mas você me ajuda a lembrar o quão bonito nossa caótica realidade pode ser.

Só porque você se apega a algo, não significa que vai ficar com você.

— Eu me pergunto, será minha perseverança uma força para se orgulhar ou apenas um hábito, sendo mais fácil continuar do que desistir? Porque é difícil dizer se ela me ajuda em tempos difíceis ou apenas me mantêm neles.

Lute, fuja ou encontre maneiras de se divertir.

— Talvez seja idiota ver as coisas desse jeito, mas ultimamente, quando eu estou feliz, eu penso que esse sentimento não vai durar. Penso como vai deixar de existir, assim como todo o resto. Refletir em como tudo é temporário me ajuda a me sentir menos triste quando a felicidade acaba, e a apreciar mais quando ela continua.

Onde coloco meu foco, é onde meu foco me coloca.

— Quando eu relembrar esses momentos, do que você acha que eu vou me lembrar mais? O caos ou a alegria?

— Bem, isso é fácil. Você vai se lembrar sobre o que importa mais para você.

Lembrando os ontens.

— Apenas dias ruins, um após o outro. Essa é a minha vida agora.

— Sabe, você apenas acha isso por causa da sua perspectiva. Você não se lembra de como os seus dias eram no passado? Seus velhos altos e baixos? Você tem que relembrar os ontens para ver hoje pela lente certa.

Tentando ser um amigo para mim mesmo.

— Como poderei fazer paz com a solidão que sinto quando sou eu mesmo?

— Bem, já tentou ser seu amigo? Você será “você” por toda a sua vida. Por que não passar um tempo se conhecendo? Acho que você terá uma existência menos solitária se você descobrir satisfação na sua companhia.

Palavras adaptadas se encaixam melhor.

— Essas afirmações não me ajudam com nada. Eu sou forte. Eu sou lindo. Eu sou… péssimo em tudo o que eu faço.

— Pode ser porque dizer o que você não acredita é igual mentir. E quem se sente melhor depois de mentir para si mesmo? Tente achar atributos bons que você acredita ter.

— Eu… não sou péssimo em tudo o que eu faço. Eu sou relativamente bom!

É uma característica, não uma falha.

— Eu queria que meus interesses fossem normais, que eu não fosse estranho.

— Bem, se todos fossem “normais” então todo individuo teria as mesmas paixões e ambições. Mas acrescente alguns esquisitos e uma espécie inteira se beneficia da grande gama de pontos fortes, fracos e possibilidades. Sua esquisitice é a esperança do futuro!”

Construir sua autoconfiança por comparação apenas define como você será destruído.

— A comparação é ladra de felicidade, mas mesmo assim eu não paro de pensar que sou péssimo em tudo que eu faço ao ver o que os outros estão fazendo.

— Sabe, parte do motivo de você se sentir assim é a forma pela qual você foi criado. Na realidade, você não é superior a ninguém, e ninguém é superior a você. Porque somos criaturas complexas demais para uma comparação honesta.

As consequências de estar confortável.

— Eu percebi esse padrão estranho que me ocorre. Se a vida estiver boa por tempo o suficiente, o medo da mudança aparece.

Uma mudança nas conversas.

— Me desculpe se não estou falando muito. Minha vida está muito melhor hoje em dia. Eu não preciso refletir e conversar tanto assim. 

— Não se preocupe. Você sempre pode parar de falar comigo. Mas eu nunca vou parar de falar com você. 

“Você não pode amar alguém sem antes se amar.”

Mentira!

Eu nunca me amei.

Mas você… Ah, eu amei tanto você que esqueci como me odiar doía.

Publicado por Marco

Alguém que adora história.

Um comentário em “Desejo ser a morna luz que banha cada pessoa que amo.

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