Muito falava Clarice Lispector
sobre os instantes.
Sob a reflexão:
o instante de agora
não é o mesmo instante de agora,
como o ponto mais específico da roda de um carro
que toca o chão
ao mesmo tempo que deixa de toca-lo.
Quero dizer-lhe Clarice,
estou lutando contra isso
e estou tentando calcular
uma reta tangente de MRUV,
que me dê AGORA
o movimento desse instante.
Esse movimento cruel e desolador,
movimento mágico e inconsciente.
Esse movimento
que,
talvez,
todas as palavras resumiriam,
pois é tão cheio,
é tão complexo.
É amor, recomeço, fim e traição
É ódio, continuação, começo e união.
Ou talvez esse instante seja uma única palavra.
Mas infelizmente digo,
Lispector,
Não tentarei encontra-lo,
nem tirarei licença poética para confundir meus leitores,
o porquê?
:
NÃO EXISTE reta tangente
que calcule
a palavra que resumiria
o movimento desses instantes.
Apenas saborearei a velocidade da vida
que varia e me leva a algum lugar,
que me leva ao mesmo lugar de todos
o lugar onde não há mais movimento.