📜 “Odisseu: Canto da Longa Volta” 📜
(Uma Epopeia em Verso Livre)
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Canto I – O Eco de Tróia
Canta, Musa, ao som da lira e do vento,
a história do homem de mente infinda,
cujo nome ecoa entre os rochedos do tempo:
Odisseu, rei das palavras e da coragem.
Caiu Tróia em fogo, em sangue e em grito,
com o ardil do cavalo de madeira e silêncio,
e Odisseu, arquiteto da astúcia,
zarpou com o coração em brasa
rumo à sua Ítaca tão sonhada —
mas os deuses riam, e os mares se armavam.
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Canto II – Entre Monstros e Deuses
Doze navios, doze esperanças.
Mas os ventos, domados por Éolo,
sopraram promessas… e também traições.
Na caverna de Polifemo, o ciclope,
Odisseu mentiu e sobreviveu:
“Me chamo Ninguém” — e o monstro, cego,
uivou ao céu o nome de ninguém.
Circe, feiticeira de olhos vazios,
fez dos homens porcos e do amor armadilha,
mas ele, com erva dos deuses na palma,
quebrou o feitiço, partiu com dor e saudade.
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Canto III – Vozes no Abismo
Cantaram as sereias sobre rochas cortantes,
e Odisseu, amarrado ao mastro do tempo,
ouviu a beleza que mata —
mas não se perdeu.
Passou entre Cila e Caríbdis,
entre dentes de pedra e redemoinhos de alma.
Perdeu homens, perdeu noites, perdeu fé.
Mas nunca cedeu.
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Canto IV – A Ilha do Sol e a Ira de Zeus
Na terra do Sol, bois sagrados pastavam,
mas a fome dos homens não tem piedade.
Comeram, pecaram — Zeus respondeu:
lançou relâmpagos, quebrou mastros,
e o mar engoliu quase tudo.
Só ele restou.
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Canto V – Calipso e o Cativeiro do Tempo
Na ilha de Calipso, beleza e prisão,
sete anos de beijos e céu sem tempestade,
mas o herói chorava à beira da areia,
por Ítaca, por Pénelope, por si.
E os deuses, por fim, abriram caminho.
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Canto VI – O Regresso
Com o peito marcado por sal e lembrança,
Odisseu retornou disfarçado de ninguém.
Em sua casa, homens tomavam banquetes,
jurando amor à sua esposa leal.
Mas o arco do rei —
aquele que só ele podia dobrar —
fez-se justiça em corda e flecha.
E os usurpadores caíram
como folhas secas no outono da honra.
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Canto VII – O Silêncio e a Paz
Na cama esculpida no tronco da oliveira,
Odisseu reencontrou o amor e a raiz.
Não era mais o mesmo —
nem o mundo era.
Mas o nome permaneceu:
Odisseu,
aquele que lutou, que mentiu, que amou,
que navegou entre monstros e saudades,
e enfim,
voltou.