Uma cigarra no Amor

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Durante o escuro da noite,
Sois uma cigarra
Procurando fazer uma serenata,
Alimentando-me de paixão,
Lamentando sua falta,
Tentando aprofundar-me em seus mistérios,
Sentimentos confusos mas tão concretos,
Mostra-te tão séria,
Mas comigo és uma rosa,
Sendo levada pelo vento,
Porque tão silenciosa,
Lembrando-me uma árvore sozinha,
Falar-te ser um anjo,
Porém em seu sorriso vejo o passado,
Pegando em sua mão, crio sonhos,
Fazer de seu anelar direito
Um lar para nossas alianças,
O futuro és uma incógnita,
O tempo é passageiro,
Seu anelar esquerdo Nossa felicidade.

Castanhos

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Os castanhos das tuas íris, o vermelho de suas pupilas, o que te deixou assim?

O amor? Ou as frias e egoístas palavras que ultrapassaram sua alma e o feriu?

Queria ser o baseado que estás em tuas mãos, ficar em tuas mãos, morrer nos teus lábios e ficar em tua mente por toda a eternidade.

Talvez teria uma overdose e morreria mas não ligaria, desde que eu esteja contigo, você será meu abrigo. Mesmo que custe a vida de duas almas gêmeas que eram destinadas a ficarem separadas…

v i c i o

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Assim como o sol que, dia após dia, beija o horizonte

Quero me afogar nessa sua saliva doce e ardente

.

Me entregar e te pregar em mim

Assim, sem delicadeza

Puro desejo e tesão

.

Seus dedos curam onde dói no mínimo contato.

Seu beijo, ah seu beijo!

Seu beijo arrebata.

.

Cada pedaço do meu ser

Aos poucos, se esvai

A cada suspiro fundo, alto e ansioso

.

Corpo e coração latejando

Desesperadamente!

Tiro de você os melhores gemidos

.

Trêmulos, melódicos e molhados

Que inundam nossa dança improvisada

E dói como cada mordida, que arranca não só sua pele

Como também um ponto final, que satisfaz

.

Mas, que pode se tornar uma vírgula

Pela necessidade e vontade

De alimentar um vício perigoso, gostoso

.

Vício malicioso

.

arte

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milagrosamente tenho escrito muito, mas não aqui

escrito coisas dos meus projetos mais pessoais

que ainda hão de ver o mundo e o mundo há de os ver

alguns poemas

muitos desabafos

historias e detalhes de mundos fictícios

estranhamente, não desenho

não sinto conexão

não me sinto bem vendo o desenho

não gosto dessa insegurança mas odeio mais ver algo que eu fiz e não gostar

qual o conserto pra isso?

como devo me conectar com aquilo que baseei toda uma vida?

e como achar um novo caminho?

arte é tão cruel

tão dolorido

mas tão bom quando da certo

e tão raramente da certo

ODE

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coração regride
quando a dor explode
e esse mar sacode
balançando a rede

versos na parede
ossos no cabide
fendas na cidade
mas não se incomode

que tudo se pode
quando o amor se mede
pelo céu que invade
as águas do açude

guardo num baú de
prata a liberdade
e uma tempestade
pra matar a sede

súditos de Édipo
em castidade
se não há o que ajude
peço que revide

da felicidade
guardo a latitude
transformada em lúdica
propriedade

metas na metade
beijos amiúde
brota o caos em rude
capilaridade

nessa claridade
nunca se acomode
submerso em pó de
mortas divindades