Calor

Tempo de Leitura: < 1 minuto

Sol batendo no meu coco

Coco-cabeça, infelizmente

Quem me dera água de coco

Picolé, suco natural…

Calor seco abafado

Vinte e quatro horas por dia

Não aguento mais

Onde está outono fresco

Inverno frio, primavera?

Não existe mais

Agora é só calor

O ano todo

Quem me dera no tempo voltar

Tempos mais frescos…

E eu já reclamava!

Falaria para mim mesma:

“Aproveita, vai piorar!”

VOU PULAR CARNAVAL NO ANO QUE VEM

Tempo de Leitura: < 1 minuto

Todo ano no mês de fevereiro
bate em mim um tambor no coração
pra sair com meu bloco pela rua
desfilando e arrastando a multidão.
Mas no dia que chega o carnaval
é mais forte a fobia social
e a preguiça de aglomeração.

Mesmo assim busco a determinação
e preparo a minha fantasia,
organizo a festa em cronograma
(pelo menos um bloco ou dois, por dia).
A galera subindo a ladeira
e eu sempre, na hora derradeira,
desanimo de farra e de folia.

Felizmente, por sorte ou ironia,
tenho amigos que só me querem bem.
São eles que me injetam alegria
e a vontade de farrear também:
“É verão e o carnaval me chama!”
Mas eu já tô deitado de pijama…
É… sei lá… quem sabe no ano que vem…

Resposta pra H.

Tempo de Leitura: 3 minutos

Já faz bastante tempo que eu não escrevo um texto, mas eu te garanto que cada linha que já fiz, cada rabisco e rascunho, cada letra que ouvi, cada batida do meu coração e do meu ser são dedicados à você. Eu não entendo quando você diz tudo já que eu tenho tão pouco e mesmo assim, consigo compreender os seus sentimentos. Talvez isso seja empatia?

Tem tanto tempo que cada música que exista fala de você, mesmo nos pequenos detalhes. Quando as batidas são rápidas me lembra do seu jeito de falar, que sempre foi rápido feito um tiro certeiro e “de tanto levar, frechada do teu olhar” eu já me rendi como seu alvo. Os bpm’s mais calmos me lembram da paz que você me traz com seu olhar, e até entendo o Projota porque minha alma agora “só quer paz”.

Quero fazer de ti meu momento favorito, e o segundo favorito, e o terceiro, e o quarto… E o quarto? Quero botar fogo nele junto com você. Fazer dele nosso refúgio, nosso quarto de guerra onde eu consiga mostrar minha fé na gente. Fazer dele a tempestade no nosso copo d’água enquanto você se molha, e que ele seja meu abrigo caso esteja em seca. Quero passar noites em claro admirando a lua, e por falar nela, quero esfregar na cara dela que eu finalmente achei algo mais lindo. Que seja nossa intimidade e nossa exposição. Que seja nosso campo minado e nosso cantinho seguro. Nosso lugar de leitura ou nosso estúdio de sons tão lindos quanto sua voz.

   Quero escrever de novo pra você e só pra você, sem ter que te esconder em linhas e códigos. Mas apesar de tudo quero que seja só minha, nem que eu tenha que te esconder em morse pro mundo não nos entender. Quero que seja meu ônibus das 18h no horário de pico e meu trem das 11h em uma época que já não volta.

  Finalmente entendo um pouco mais o Baco, naquelas linhas em que ele diz “saudades me fazem fazer loucuras que sei que tiram minha paz” quando eu pensava em te mandar mensagem mesmo sabendo que não podia. Ou naquela outra depois dos nossos primeiro e segundo fins, “mensagens, olhar pro celular me faz olhar pra trás” e ainda ter que engolir que “as verdades difíceis de lidar são as que doem mais” mas jamais te fiz uma prioridade que virou um tanto faz.

  “Ser seu e ser sincero, me quer então eu me entrego.”

E em “Piscina vazia” ele tava certo, gostosas realmente ouvem Baco.

Quero me deitar nos seus braços, me perder na sua cintura, sentir seu toque e respirar sua pele. Quero me embolar nos seus cabelos e sorrir com seus sorrisos. Quero continuar de onde nem começamos, aquele dia aqui em casa e terminar de, isso eu não preciso falar, preciso?

E poha, como o Puma tinha razão quando ele disse:
“Ela me vira da cabeça aos pés,
Eu amo o jeito que me olha.”
E como diria o Derxan:
“Se eu disser que não gosto do jeito que me olha
Vou estar mentindo”
E sim froid, como eu pagaria tudo pra ter um Hat Trick…

Quero voltar a ser poeta de romance, quero voltar a ler e te ver em cada linha de forma que as linhas dancem, se reorganizem e formem seu rosto.

Quero tardes de pôr do sol com um livro ruim, minha voz rouca, um maço de cigarro e você rindo de mim enquanto pede pra apagar o cigarro. Quero garrafas baratas de vinho e cervejas de bar de esquina com um papo furado e dispensável enquanto eu só penso em como sua boca é tão beijavel…

Quero madrugadas de chuva enquanto eu imito algo de um jeito tão ruim que pareça bom. Frases e poemas baratos de pinterest, tão vazios e rasos que pra nós tenha um significado maior e profundo enquanto a gente discute sobre eu achar Anarco-Capitalismo interessante e você simplesmente acha absurdo isso.

Não quero caminhadas longas sem rumo, quero uma estrada inteira sem fim pra nunca ter que me despedir em alguma esquina e te ver só na outra semana.

Sabiá

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Um absurdo
Meu povo calado sofrendo.
Em êxtase.
Querem que eu me cale, não veja que seja surdo.
Logo eu que desde pequeno
Jogando bola no asfalto descalço
Enquanto o filho da madame joga em campo
Pra nós era vida
Pra eles descaso.
Eu que de onde eu vim as balas cantam alto
E o sabiá que não canta vira caldo.
E toda essa falsa igualdade me dá azia
Porque desde que eu me lembro
A cabeça tá cheia
A geladeira vazia.
Logo eu que amo a Alcione
Deixar meu povo morrer?
O samba já passou e o palco tá gasto
Em meio a selva de pedras caçado
Já que sem a garoupa no bolso
Todos os meus já conhecem a sensação da pele alvo.
Eu queria falar mais
Mas me dá licença que eu tenho que trabalhar
Pra mudar de vida já que eu não quero continuar nessa
Preciso ir correndo
Porque peixe que dorme na praia
A onda leva.