HAVIA FLORESTA

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Havia floresta
e líquidas folhas
e líquens pulsando
em bolas de luz
cobrindo mil sóis
quebrando lençóis
cabendo nos vãos da cabeça

peça movediça
que vem e que passa
por pura pirraça
ou dura preguiça
tropeça no espaço
do ventre vazio
da vulva postiça

jorrando cometas
gametas pungentes

que descem nas pernas
descansam nas praças
explodem nas frestas
se lançam nas matas
se abraçam em festa e dançam
ausentes

e avançam pinçando as arestas de um corpo demente

com vinho e fumaça
com brasa e promessa
até que floresça
do imenso vazio
vazando nas bordas da nossa desgraça
a nova cabeça

na força do vento
na graça da vida
cabaça do tempo
carcaça perdida
trapaça reversa
escassa carniça
no avesso do verso realça
descalça
travessa
floresta

Não receber mensagem também é mensagem

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O ego é tão terrível, faz com que depositamos energia em lugares que não amadurecem como devem.

Algumas pessoas precisam de um certo fertilizante que não é o nosso.

Alguém precisa de mais nitrogênio e temos mais potássio ou fósforo.

Sim, chorar é uma opção. Chorar por ter me importado por alguém que não se importa comigo.

E as vezes o que mais dói é se preocupar com a amizade que nunca fez sentido. Que nunca houve ou existiu.

Se eu não tiver certeza não é certo se jogar, e eu seguia essa lógica até permitir meu coração se lançar.

Fraqueza. Mera fraqueza.

O coração se implode. Como, com todo meu esforço e distinção entre o certo ou errado ainda sim pessoas que apenas estão aqui superam?

O carisma supera. A coragem é. A extroversão grita.

Sei que estou aqui para crescer, melhorar. Mas por que?

Por que?

Queria bem entender o motivo de tudo isso.

Queria olhar e não ligar. Não ligar que me importo. Isso, contudo, faz parte da minha humanidade.

Drama

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Seria do ser humano inata?
Parte essencial das pessoas
Comunicação inexistente, ou mal feita.
Assisto, pois estou no meio
De um jeito ou de outro, estou envolvida indiretamente
Por favor, não dramatizem mal
Já cansei de sofrer pelas decisões de outros.
E não quero respirar este ar pesado.

Coisa de criança

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Quando eu era menor, eu tinha um amigo imaginário. Ele vivia nas paredes do mundo inteiro, como uma dimensão de paredes: com portas que levavam a qualquer lugar. Ele tinha olhos pelo corpo todo, como Argos da mitologia grega. Então ele podia ir a qualquer lugar e ver tudo, quando se pensa bem. Quase um Deus. Eu, criança, encostava nas parede e brincava que eu estava lá, andando pela casa dele (o nome dele era Isputi, com a sílaba tônica no “pu”), como um NPC bugado em um jogo. Também tinha outra amiga imaginária, uma van rosa. E tinha uma passagem do mundo das paredes para lá, então toda viagem de carro, era eu olhando para a janela imaginando a van (o nome dela era Rosa, bem original) andando paralelo ao carro, com o Isputi dentro, mais amigos imaginários.

Eu não curtia brincar de boneca com outras pessoas. Os outros brincavam de shopping, chá, etc. Eu levava as pollys numa viagem de navio pirata (um carrinho de bebê de boneca), fazia elas viajarem e serem engolidas pelo carro (eu tinha uma van de polly com um compartimento onde cabia o corpinho, sem a cabeça, e tinha uma imagem de uma porta com plantas crescendo nela, bem suspeito[talvez não fosse uma porta, mas era retangular, e eu pensava em porta]).

Eu era seletiva quanto aos desenhos que eu assistia: não assistia coisa de super heróis porque era de menino e não me interessava (que bobagem, né), tinha um medo de Dango Balango (ô marionetes do capeta) e evitava, qualquer coisa meio esquisita eu não via. Enfim, uma medrosa e chata. Mas brincava de barro, andava de bicicleta, desenhava com giz na rua e comia amora direto do pé. Criança meio raiz.

Aí eu mudei e cada vez menos brinquei na rua. Mas brincava dentro de casa, usando o quintal inteiro, usando água, fazendo bagunça. Até parar gradualmente. Não porque eu perdi o interesse, mas porque eu perdi a inocência. E brincar sem inocência me sentiu errado. E parei.