Cheiro

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O cheiro do livro marca mais do que o cheiro da vida. Por um breve momento.

Assim como seu cheiro.

Mas é isso, esse cheiro é seu.

E mesmo que eu faça de conta que possa ser nosso, não é.

Na realidade, a realidade é.

“A realidade é” no sentido de mesmo que eu sinta seu cheiro longe de você, é seu cheiro.

Bom, é isso. Meu coração entendeu, mas o seu cheiro, é tão bom assim?

jovem Joana

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A jovem Joana se tornava jovem, rebelde, seu coração se vinculava com a selvageria da adolescência, seu coração se vinculava. Raiva e paixão. Mas em algum momento, houve um amadurecimento. O nascimento de vênus. O nascimento de uma tristeza que a carregaria por aí, como a onda do mar bruta. Bruta: selvagem. Não seria ela selvagem, seria o mar. E na busca de si mesma ela brincaria de viver, esqueceria o que importa. A essência do arqué da existência se cobriria do vazio adulto, e dele (vazio) nada seria tirado. A mãe seria esquecida, sua infância enterrada, sua paixão que deu errado e que a ela trouxe o sentimento de abandono, jogada fora. Ela jogaria o pé para fora da banheira, e entraria submersa numa coisa muito mais funda, que a afogaria cedo ou tarde. Mas ela se descobriria independente. Ela se descobriria Joana, mesmo que não fosse possível para ela no seu processo de amadurecimento se ver sem ninguém. Aliás, o entendimento popular de víbora e bruxa é bem próximo. Talvez para ser bruxa ela devesse sim ser sozinha, deixar de ser Joana jovem.

(inspirado: perto do coração selvagem – Clarice Lispector)

O vazio

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No vasto silêncio do vazio profundo,
Onde o eco da solidão é o único som.
Um abismo de nada, sem fim aparente,
No vazio, a alma se sente ausente.

É um espaço sem cor, sem forma, sem luz,
Onde a escuridão se envolve, sem conduta.
Um vazio que pesa no peito, como chumbo,
Onde os suspiros se perdem, no mundo disfuncional.

No vasto silêncio do vazio a se estender,
Um eco sem fim, um suspiro a percorrer.
Um espaço desolado, sem forma, sem luz,
O vazio é a ausência, um abismo seduz.

Uma lacuna na alma, uma ausência que dói, No vazio, os sentimentos se perdem na voz.
É um lugar de sombras, onde a solidão reside,
Onde memórias ecoam, como marés que se dividem.