Eu vi uma rosa
Cor de rosa
Não rosa, vermelho
Não qualquer vermelho
Vermelho cor de rosa
Rosa vermelho cor de rosa
Rosa vermelha
Blog Literário
Eu vi uma rosa
Cor de rosa
Não rosa, vermelho
Não qualquer vermelho
Vermelho cor de rosa
Rosa vermelho cor de rosa
Rosa vermelha
O cheiro do livro marca mais do que o cheiro da vida. Por um breve momento.
Assim como seu cheiro.
Mas é isso, esse cheiro é seu.
E mesmo que eu faça de conta que possa ser nosso, não é.
Na realidade, a realidade é.
“A realidade é” no sentido de mesmo que eu sinta seu cheiro longe de você, é seu cheiro.
Bom, é isso. Meu coração entendeu, mas o seu cheiro, é tão bom assim?
Eu sou ou desapareço de pessoa em pessoa?
A jovem Joana se tornava jovem, rebelde, seu coração se vinculava com a selvageria da adolescência, seu coração se vinculava. Raiva e paixão. Mas em algum momento, houve um amadurecimento. O nascimento de vênus. O nascimento de uma tristeza que a carregaria por aí, como a onda do mar bruta. Bruta: selvagem. Não seria ela selvagem, seria o mar. E na busca de si mesma ela brincaria de viver, esqueceria o que importa. A essência do arqué da existência se cobriria do vazio adulto, e dele (vazio) nada seria tirado. A mãe seria esquecida, sua infância enterrada, sua paixão que deu errado e que a ela trouxe o sentimento de abandono, jogada fora. Ela jogaria o pé para fora da banheira, e entraria submersa numa coisa muito mais funda, que a afogaria cedo ou tarde. Mas ela se descobriria independente. Ela se descobriria Joana, mesmo que não fosse possível para ela no seu processo de amadurecimento se ver sem ninguém. Aliás, o entendimento popular de víbora e bruxa é bem próximo. Talvez para ser bruxa ela devesse sim ser sozinha, deixar de ser Joana jovem.
(inspirado: perto do coração selvagem – Clarice Lispector)
No vasto silêncio do vazio profundo,
Onde o eco da solidão é o único som.
Um abismo de nada, sem fim aparente,
No vazio, a alma se sente ausente.
É um espaço sem cor, sem forma, sem luz,
Onde a escuridão se envolve, sem conduta.
Um vazio que pesa no peito, como chumbo,
Onde os suspiros se perdem, no mundo disfuncional.
No vasto silêncio do vazio a se estender,
Um eco sem fim, um suspiro a percorrer.
Um espaço desolado, sem forma, sem luz,
O vazio é a ausência, um abismo seduz.
Uma lacuna na alma, uma ausência que dói, No vazio, os sentimentos se perdem na voz.
É um lugar de sombras, onde a solidão reside,
Onde memórias ecoam, como marés que se dividem.