corro o mais rápido que posso
não chego a lugar algum
todos estão à minha frente
ninguém está atrás de mim
o desapontamento me corrói
não sei onde que chegar
por que estou estou correndo?
o que me desaponta se não tenho pra onde ir?
Solidão
Minha alma foi cativa do meu próprio amor
Doeu, segurar de ponta a ponta um sorriso que cobria a minha desgraça
Minhas insatisfações foram gritadas e, mais de uma vez, apenas as paredes tinham ouvidos para mim
…
Joguei, por fim, ao aterramento, todo aquele sofrimento-amor
E, na tentativa de me libertar, me tranquei para longe de tudo
E tudo, e tu, viram meus olhos encharcados de dor
Mas eu já não era mais digno da conquista, de poder desbravar pessoas-mundo
…
Era, agora, sozinho
Sem pessoas-mundo para descobrir
Sem sofrimento-amor do qual me desprender
Apenas fria, insensível, voraz e desesperada
A solidão-viver
Eu: corpo e mato
Me divido em dois, em corpo rijo e em mato livre. O corpo e o mato tem uma ligação profunda, já que são duas partes de um mesmo eu. O corpo por sua vez é forte e ambicioso, pisa no mato com toda sua energia, é fogo. Sua irradiação porém passa ao mato, que está ligado ao mesmo e cresce com esplendor, é ar. A terra e a água estarão em outra história. É engraçado essa imaginação, já que geralmente o ar que faz o fogo expandir (como leigo em esoterismo). Na verdade há muitas coisas engraçadas nesse pensamento, já que no meu mapa astral, também, o fogo e o ar dominam, mesmo que eu não acredite em astrologia: essa é a verdade apenas na luta desse corpo desse texto. Enfim: não há estrelas nessa história, elas terão a seu próprio monólogo. Mal imaginava o corpo que seria pinicado cada vez mais, e que seria ultrapassado pelo mato que agora dominaria 0.5 eu. O fogo é a essência do que mais lhe concede sucesso ao eu, porém carnal, vivo: mas carnal. O mato é livre, criativo, sentimental, verde e mata o corpo, crescendo com mitose e se fortalecendo nesses instantes que come o corpo como um canibal. E o corpo aduba o mato. A vida é assim, tudo que nasce morre. E o mato, depois de um tempo sem a força do corpo (os dois eram os únicos nessa dimensão) também apodrece. Nessa mesma dimensão vê-se pó, como se fosse pó absorto em um cubo (que é a dimensão). Esse cubo permanece representando a luta do eu de 16 anos que existira em algum lugar, e prende em minha imaginação as 20:36:57 do dia 10/12/23, trazendo enfim a reflexão individual: tudo do corpo forma o corpo, e não posso dividi-lo em dois literalmente ● (não se engane, isso não é sinal de tópico, é um ponto final)
Esclarecimento: Esse texto tem por objetivo exemplificar que as partes do meu eu divididas em ar e fogo, corpo e mato, se fortalecem ao coexistirem, mesmo que lutem. A vida é complexa e vale a pena quando é constituída de todas essas partes. Eu gosto de dividir a vida em partes subjetivamente, e pensar que essas formam o todo objetivamente, e esse é o caso do objetivo que não pode ser separado.
Saúde
Peço a mãe terra para que não deixe nenhuma praga infiltrar em mim e fazer meus anticorpos emocionais se transformarem em uma doença auto imune, realmente eu mereço saúde, eu mereço emoções que me protejam e evidenciam o melhor em mim, não me destruam e me façam sentir assim, choroso.
Sufoco
última página de água viva, Clarice Lispector:
“E eis que depois de uma tarde de “quem sou eu” e de acordar à uma hora da madrugada ainda em desespero – eis que às três horas da madrugada acordei e me encontrei. Fui ao encontro de mim. Calma, alegre, plenitude sem fulminação. Simples eu sou eu. E você é você. É vasto, vai durar.
O que te escrevo é um “isto. Não vai parar: continua.
Olha pra mim e me ama. Não: tu olhas pra ti e ti amas, é o que está certo.
O que escrevo continua e estou enfeitiçada.”.
Eis me aqui, senhor!
Criticando a imaginação de senso comum sobre o seu amor,
eis me aqui, senhor!
Tão envolto ao mundo,
que quando durmo meu coração fica mudo
do barulho que me cobria desaparecendo,
e faço parte de ti, e faço parte de ti, senhor!.
Na realidade, quando digo “senhor”;
digo “tudo”, não por que és tu tudo,
mas porque é nada,
o tudo me é nada pois apenas
quando durmo: quando me sou nada,
quando balbucio minha existência,
é faço parte disso por inteiro,
disso que não me sou eu
disso que aparenta ser tudo,
e sou tudo, sendo nada.
Quando não me sou eu,
me rijo, me rijo de sentimentos,
isso tudo antes do crepúsculo que me esvazia.
E após acordar às 3 da madrugada,
penso nele, senhor!
Já que tu não me entende
talvez ache que estou me referindo ao crepúsculo,
então, penso neles, senhor!
nos dois crepúsculos.
Leio e releio:
“olhas pra ti e te amas, é o que estás certo”,
e penso que essa frase está certa,
porém eu olho pra ti e te amo,
é o que está errado e o que me sufoca,
eis me aqui, senhores!